quarta-feira, 21 de abril de 2010

Um whiskey antes da balada

Não se preocupe não, meu bem. Não é nada demais. Eu só estou um pouco cansada mesmo. O discurso do mundo continua tão século vinte, e a gente sendo empurrada para o vinte e um desde que nasceu. Fica difícil não se cansar. Nada muda, nunca. O cardeal vem dizer que a pedofilia é coisa de veado, a esquerda vira situação e quer censurar a imprensa, o que importa no pros outros ainda é a sua reputação ilibada. E foda-se que você não se importe de trabalhar feito uma vaca 24 horas 7 dias na semana. Vão reparar mesmo é em quantos Jacks você entornou na noite da véspera da sua folga e querer saber pra quantos você deu, mesmo que nem você tenha a conta. E vem me falar em modernidade? Imagina, teoria da conspiração. Se houvesse mesmo uma teoria da conspiração deixaria o mundo um poço mais divertido, olha o ato falho... poço... é um buraco mesmo isso aqui. Sem graça, cheio de gente uó e mais um monte de escrotidõezinhas que nem vale a pena contar. Claro que não é todo mundo de todo mau. Mas se você nivelar... Se tivesse mesmo um Deus no alto olhando tudo ele já tinha feito um estrago nisso daqui, já tinha chovido fogo e enxofre em cima dessa merda. A menos que ele tenha um quê de sadismo e ache maneiro as criancinhas na África, as meninas na China, alguém com o cú cheio de bomba explodindo em um mercado. É cada um por si, meu bem. E não se pode mais confiar em nada. A superficialidade é a tônica dos relacionamentos. Me peça dinheiro , mas não me peça intimidade, aliás, não me peça nada, me dê... Me dê tudo o que você tiver. Me dê seu tempo, seu amor, sua dedicação, me dê seus sonhos. Enquanto estiver tudo divertido farei parte deles, na hora que eu me cansar é tchau e bença. Coloco tudo que você me deu no lixo e vou em frente. E é assim, meu bem. É assim que funciona. Nem amor em novela é mais bonito. Nem vilão de novela é mais confiável, eles se regeneram por causa da audiência. A mocinha bonitinha que não é atriz não tá agradando no papel de vilã. Ela se apaixona, sofre um pouco pra purgar os erros e se casa e é feliz pra sempre. Foi um padre quem me disse. A vida não é justa minha filha. Não, realmente ela não. A vida é uma luta desgraçada onde nem sempre os bons vencem. Quanto mais se globaliza, mais individualista fica. E você acha que eu vou me importar? Não. Vou seguir em frente. Penso na Scarlet O’hara e digo: I’ll never be hungry again... Quem me dera. Meu coração não é desses. Mas eu queria. Queria ser má, aliás, nem ser má. Queria mesmo não me importar, não ligar pra nada que não fosse eu mesma. Mas no fundo eu não consigo acreditar que essas pessoas são felizes. Não tem como. E a gente vê nos olhos tristes dessa gente que nunca vai encontrar aquilo que quer pelo simples fato de na verdade não quererem o que pensam que querem. Querer aquilo que viram na mídia... Odeio essa palavra... É um buraco negro pras almas. Ditando aquilo que você deve ser, desde os seus comportamentos, até as formas do seu corpo , passando pelas suas vontades, seus sonhos, seus sentimentos. Essa coisa que o homem construiu pro século XXI é muito estranha mesmo. Vejo gente chorando pelas vítimas do terremoto no Haiti e cagando prum amigo que tá do lado precisando de um abraço. Podiam criar logo o celular com teletransporte. Isso seria útil. Isso me aliviaria um pouco. Mas enquanto ele não chega vamos tomar mais um whiskey? Seu copo tá vazio já! Agora me conta. Me conta tudo. Quero saber de você. Existe qualquer coisa de novo sob o sol que eu não esteja sabendo? Qualquer notícia que me descanse me interessa. Qualquer coisa que me deixe com vontade de ver o dia nascer de novo e de novo e de novo!

2 comentários:

  1. enche meu copo! a sede disso tudo tá me deixando novamente angustiado...

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  2. caro anônimo... espero que a esta altura do campeonato seu copo ja esteja cheio!

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